O Homem já produziu tão elevado grau
de conhecimento e certeza que, não raro, se surpreende com
as suas próprias realizações. Que conhecimento não inventou e produziu
já o homem?
Para só mencionar dois ramos do saber
– a Medicina e a Astronomia –, já pensou nos progressos
extraordinários que o homem tem operado (apenas no século XX) nestes
domínios da Ciência? Vejamos alguns exemplos:
Medicina
– Em 1929 (EUA) inventa-se o pulmão artificial; em 1944 (Holanda), o
primeiro rim artificial; em 1953 (EUA), a máquina-pulmão; em 1954 (EUA),
a primeira válvula cardíaca para seres humanos; em 1964 (EUA), a
primeira transplantação de pulmão; em 1967 (Africa do Sul), a primeira
transplantação de Coração humano; nos dias de hoje, já se introduzem, no
peito humano, "máquinas-coração", com sucesso, com a finalidade de, por
este meio, prolongar a vida e melhorar sua qualidade. É admirável!
No que concerne à Astronomia,
o homem tem multiplicado esforços no sentido de ampliar os seus
conhecimentos sobre o espaço sideral, a sua constituição, formação e
evolução, bem como a posição do homem face ao contexto cósmico.
Neste sentido, para além das investigações que exerce por meio de
sondas, satélites e outros instrumentos auxiliares capazes de 'pesquisa',
o homem projecta-se para a navegação acima da atmosfera terrestre e dá
inicio à astronáutica.
O trabalho realizado, até então,
possibilitou que no dia 12 de Abril
de 1961, Gagarin, astronauta russo, se tivesse convertido no primeiro
cosmonauta, a bordo da nave Vostok I, a
efectuar um voo no espaço; em 20.02.1962, é a vez de John Glenn sair
para o espaço a bordo de Mercury IV; em 16.07.1969, ocorre o
feito mais apetecido e esperado: cabe ao cosmonauta norte-americano
Armstrong ser o primeiro homem a pisar solo lunar, com Apolo
XI; em 15.07.1975, uma nave americana, Apolo, e uma outra
soviética, Soyus, unem-se em órbita, separam-se e regressam à
Terra; em 12.04.1981, foi lançado, com êxito, o STS-l Colombia,
que regressou à Terra depois de cumprir a sua missão, após ter
completado trinta e seis voltas na órbita da Terra, durante 54 horas e
meia. O Vaivém Espacial americano fez as suas viagens de pesquisa
com normalidade, embora tenhamos que registar o trágico acidente
aeroespacial do Challenger, que iria fazer o voo designado
"Missão 51-L", mas que explodiu (às 11H40 locais, 16H40 de Lisboa,
de terça-feira, do dia 28.01.1986), tornando-se numa bola de fogo que
não deu hipóteses de sobrevivência aos seus sete tripulantes que seguiam
a bordo, entre eles, duas mulheres, uma das quais, a professora liceal
Christa McAuliffe que se havia preparado para proferir do espaço duas
lições: uma sobre os pormenores do dia-a-dia a bordo da nave e outra,
com o título "onde estivemos, para onde vamos, porquê", que se destinava
a ajudar os estudantes a compreender os objectivos da exploração
espacial. As lições deveriam ser transmitidas pela Televisão e vistas
por dezenas de milhares de estudantes.
O homem inventa, cria e aperfeiçoa
conhecimentos, métodos e técnicas que lhe possibilitam não só consolidar
como ampliar os seus conhecimentos para que possa, cada vez mais e com
maior profundidade, vislumbrar algo mais do muito – inesgotável – que
está para além de si. Esta vontade de saber é a consequência lógica da
nossa tomada de consciência que nos diz que o muito que já sabemos é,
afinal, quase nada comparado com a imensidão do desconhecido que não
sabemos.
É este desejo de saber que projecta o
homem para a aventura em demanda do Macrocosmos. No entanto,
façamos esta pergunta geral: se o homem já sabe tanto do grande
Cosmos, que sabe de si (microcosmos)? Mais concretamente, formulemos as
seguintes questões: Que é o Homem? Qual a sua origem? É ele
manifestação da Criação? É o resultado de um processo evolutivo?
E qual o seu destino?
Para estas ou outras questões, de
semelhante teor, seremos capazes de algum dia encontrar as respostas
concretas? Tenhamos, pele menos, a capacidade de manter a curiosidade de
pesquisa e a fé no saber.
(António
Pinela, Reflexões, Março de 2006).