Sócrates, Platão e Aristóteles e a fundamentação da Filosofia

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Pensamento convergente versus Pensamento divergente

 

«Quem não está connosco está "contra-nosco".» Lembram-se desta frase, que foi pronunciada em Almada, em 1975? Já lá vão trinta anos, mas ainda há muita gente que pensa assim! Para estes não pode haver alternativa. Psicologicamente, denomina-se a este modo de pensar, «pensamento convergente».

É um modo de pensamento orientado para a obtenção de uma única resposta a uma situação. O ser pensante, colocado perante um problema, submete-se a instruções rígidas no sen­tido de encontrar uma única solução. O seu comportamento é conformista, pru­dente, rigoroso, mas limitado.

Explicitando, toda a forma de pensar, dos diversos actores, obedece à ordem de comando, daquele que, ocasionalmente, lidera o grupo.

Quem se atrever a pensar diferente, mesmo que o seu pensamento enriqueça os pensamentos anteriores, mesmo que tal pensamento seja lúcido e traga mais valia, não poderá ser contemplado, porque isso iria contra os ditames do líder e este sentir-se-ia fragilizado, porque o pensamento vencedor não teria sido o seu. E o chefe tem que ter pensamentos...

Todavia, o pensamento convergente, que parecendo muito objectivo, acaba por encaminhar-se para o unanimismo. Logo, é um pensamento ortodoxo, dogmático, não criativo, autoritário. E, por consequência, os defensores deste tipo de pensar, radicalizam-se, não aceitam o debate e, muito menos, a troca de ideias, porque as suas, mesmo que vazias de conteúdo, são sempre as melhores. É a incapacidade de reconhecer que o outro, por mais humilde que seja a sua posição social ou profissional, pode ter rasgos de elevada reflexão e de produção de ideias. Tais sumidades convencem-se que aos olhos dos outros, mas sobretudo a seus olhos, são a luz que ilumina as trevas! A tais, eu, humilde aprendiz das coisas do pensamento, recomendo uma reflexão sobre a célebre frase que imortalizou Sócrates, o pai da Filosofia: «Só sei que nada sei».

Ao invés do pensamento convergente, proponho o pensamento divergente, pensamento criador, mensurável através da resposta a problemas deste tipo: «Que uso se pode fazer de um Posto Público de Internet?» A pessoa, colocada perante o problema, procura todas as soluções possíveis, não se limitando à confor­ma­ção de uma solução já experimentada, desenvolve as suas respostas por meio de ensaios e erros, por aproximação experimental.

Mas não termina aqui a sua tarefa. Encontrada a sua resposta, há agora que a confrontar com as demais respostas e aceitar, sem melindres, a melhor solução para o problema em análise. É assim que o conhecimento cresce e os problemas se resolvem. É isto o pensamento divergente.

Pensamento que inova, pensamento aberto, receptivo a aperfeiçoamentos, que não menospreza os contributos seja de quem for, que aproveita as experiências exteriores, o que elas têm de enriquecimento para o objectivo do nosso trabalho. Por que não acolher experiências fundamentadas ao longo de carreiras profissionais? Por que menosprezar o saber de estudo e de experiências feito por pessoas que sabem mais do que nós em determinadas valências?

Não tenhamos dúvidas, podemos ser muito bons em determinada matéria, mas, é bom não esquecer, para bem do conhecimento e da resolução das situações, que há sempre alguém melhor de que nós em determinado assunto específico. Porque ocupamos, num dado momento, determinado lugar na vida pública ou privada, não quer isto dizer que sejamos o melhor! (...)

António Sérgio (filósofo e ensaísta português) dizia: na qualidade de aprendiz mais velho, recomendo que não faça uma só leitura, que não leia um só texto, que escute o que os outros têm para dizer, que não menospreze a sabedoria alheia... e, então, decida (António Pinela, Reflexões, Outubro de 2004).

 

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