|
Estética [do grego
aisthêsis, faculdade de sentir], é a ciência que trata do belo e do
sentimento que ele faz nascer em nós.
Os problemas da estética
podem agrupar-se em duas rubricas: uma a da criação e outra a da percepção
estética. Temos assim:
-
A
obra de arte que é uma forma de expressão muito completa e muito
profunda; ela apela para que o espectador se empenhe na ordem do
sentimento.
-
E uma teoria da
percepção, isto é, do juízo do gosto ou do sentimento do prazer.
Identificamos, deste modo,
dois tipos de experiência: o da criação e o da percepção.
Quando falamos da
criação, estamos a pensar na criação artística, portanto, nas
manifestações da arte: escultura, pintura, arquitectura, artes decorativas,
cinema, dança, fotografia, música, literatura, teatro, etc., que revelam uma
transfiguração da experiência que, simultaneamente, a retoma e reconstrói,
quer no plano da racionalidade quer no plano da criatividade.
Quando falamos
da percepção estética, queremos dizer que pretendemos entrar no mundo
da arte como espectadores atentos, pela aprendizagem do olhar e pela
educação da sensibilidade, no sentido da formação do gosto e da abertura de
novos horizontes, que nos revelam novas dimensões da realidade até então
ignoradas, alargando a nossa área de sentido do real.
A experiência estética constitui, portanto, uma das vivências do ser
humano, que pode ser desenvolvida, por exemplo, a partir das:
-
artes da imagem como a fotografia,
-
artes da palavra como a literatura,
-
artes do som e do movimento como a música e a
dança.
Como Diz
Denis
Huisman,
«A Arte consiste em
nos conduzir para uma impressão da transcendência em relação a um mundo de
seres e de coisas postas em evidência através unicamente de um jogo
concertante de qualia sensíveis, apoiado num corpo físico disposto da
maneira a produzir esses efeitos»; nós tentaremos abrir uma perspectiva
sobre uma nova concepção da Arte.
Aquilo que coloca a
arte numa posição oposta às outras actividades humanas parece-nos ser o seu
carácter «não figurativo». Pois que até a Arte mais simples – a Arte
infantil ou demente e mesmo a Arte trivial – é ainda transfigurativa na
medida em que ultrapassa a realidade vulgar por meio de uma idealização, por
mínima que seja. Não é a realidade pura, mas uma realidade revista e
corrigida pelo homem que aparece nela através da Arte.»
Denis
Huisman, A
Estética, Lisboa, Edições 70, 1981, pp. 69-70.
A arte é, portanto,
uma manifestação do espírito humano que, sem ter nenhum objectivo prático ou
utilitário, visa dar expressão sensível à realidade objectiva e às
experiências do próprio homem. A dialéctica espírito, mão, matéria produz o
belo artístico, enquanto que o pensamento através da mão dá forma à matéria
informe. (António Pinela, Reflexões).
|