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Filósofo alemão
(1859-1938), nasceu em Prossnitz (Morávia), no seio de uma família
judaica e morreu em Friburgo. Na Universidade de Viena, estudou
matemáticas e psicologia. Foi aluno de Franz Brentano de quem recebeu
uma forte influência. Em 1883, defende a sua tese de doutoramento:
Contribuição para a Teoria do Cálculo das Variações. Ensinou filosofia
em Halle, Göttingen e Friburgo. Em 1916, é nomeado professor titular da
Universidade de Friburgo. Aqui desenvolve a sua actividade até ser
jubilado, em 1928.
Com a subida do nazismo ao poder, Husserl viu-se relegado e proibido. Em
consequência, cerca de 40 mil fólios foram transferidos para a
Universidade de Lovaina para maior segurança.
Matemático de formação, Husserl foi, em primeiro lugar, um lógico
dedicado a «descrever» as operações do espírito, a esclarecer as
«essências» que a inteligência percebe nas relações lógicas. Ele
tornou-se, então, o teórico da «experiência vivida» subjacente a toda a
operação mental.
A fenomenologia (de que foi fundador, e é concebida como investigação
filosófica da vida da consciência transcendental) foi, em primeiro
lugar, uma lógica, depois desdobra-se numa filosofia do espírito e numa
filosofia da vida. Exerceu uma profunda influência sobre Scheler,
Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty. Husserl suscitou, em toda a cultura
filosófica, uma profunda corrente fenomenológica (Congresso
internacional de Royamont, de Krefeld).
As suas principais obras são: Filosofia da Aritmética (1891), da qual se
publica apenas a primeira parte. Husserl procura, nesta obra, preparar
os fundamentos científicos sobre os quais assentariam as matemáticas e a
filosofia; Investigações Lógicas (1900), que desenvolve a crítica ao
empirismo e ao psicologismo que se apoiava naquele; Ideias para uma
Fenomenologia Pura e uma Filosofia Fenomenológica (1913); Lógica Formal
e Transcendental (1929). Esta obra articula todo o seu pensamento,
concebe a lógica como uma teoria da ciência, procurando tornar claros a
origem e significado dos conceitos lógicos; Meditações Cartesianas
(1932), em que expõe a necessidade da elaboração de uma filosofia
rigorosa. Não deixando, para tal, de empregar o mesmo ponto de partida
que Descartes, o eu; Experiência e Juízo (1939); A Crise das Ciências
Europeias e a Fenomenologia Transcendental (1954). |