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De
seu verdadeiro nome Aristócles – dizia-se que a palavra 'Platão' significa testa
alta ou ombros largos – filósofo grego (Atenas 428-348/347 a. C.),
ateniense, de origem aristocrática, filho de Aríston e de Perictione,
não se sabe muito sobre a sua educação, mas, segundo Aristóteles,
familiarizou-se com Crátilo, e foi discípulo de Heraclito, conhecendo a
doutrina heraclitiana, antes de ser marcado pela extraordinária figura
de Sócrates.
Aos vinte anos conheceu Sócrates, de quem foi discípulo até ao ano da
morte do Mestre, em 399. Data que marca uma viragem decisiva na sua
vida. Do Mestre aprendeu o desprendimento, a forma de interrogar, a
coragem de enfrentar as adversidades da vida, a luta contra a ambição
desmedida, a exortação da virtude e da verdade.
A condenação à morte de Sócrates (399) e a instabilidade política de
Atenas, devido à guerra com Esparta, afastam-no da vida política
ateniense e decide viajar durante aproximadamente dois anos, pelo
Egipto, Mégara, Cirene, Sicília, etc., onde faz algumas experiências
políticas infelizes. Sonhava instituir um governo de filósofos, mas as
coisas não lhe foram favoráveis. Volta a Atenas e funda a Academia
(387), onde, a partir de 368 a. C., teve como aluno Aristóteles.
A sua filosofia idealista, o seu sistema político baseado na ordem e na
harmonia, o seu arreigado espiritualismo, a defesa intransigente da
existência do bem supremo e o seu génio literário - é considerado o
melhor prosador grego - fizeram dele génio da humanidade e figura
cimeira do pensamento Ocidental.
A obra de Platão compõe-se de uma Apologia, 28 Diálogos, dos quais dois
tem as dimensões de verdadeiros tratados (a República e as Leis), e 13
Cartas, em que a sétima e a oitava contam a aventura política de Platão
na Sicília. Por falta de as poder datar exactamente, é comum classificar
as suas obras em três ou quatro grupos, correspondendo às épocas do seu
pensamento:
1.ª – Escritos da juventude ou socráticos: Apologia de Sócrates, Críton,
Íon, Laches, Lísis, Cármides, Eutífron.
2.ª – Escritos de emancipação ou de transição: Eutidemo, Hípias Menor,
Crátilo, Hípias Maior, Menexeno, Górgias, República I, Protágoras, Ménon.
3.ª – Escritos de afirmação ou de maturidade: Fédon, Banquete, República
II-X, Fedro.
4.ª – Escritos da Velhice: Parménides, Teeteto, Sofista, Político,
Filebo, Timeu, Crítias, Leis. |