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INTRODUÇÃO
Intenção –
O que me motivou a escrever este trabalho foi, em primeiro lugar, o
desejo de organizar as minhas próprias experiências enquanto professor e
como Orientador de Estágio Pedagógico – Ramo Educacional –, primeiro a
trabalhar com a Universidade Católica (Lisboa), depois com a Faculdade
de Letras da Universidade de Lisboa; em segundo lugar, por verificar que
faz sentido incluir num só texto temas que encontramos dispersos por
várias obras, mas que constituem um todo que se traduz na
Organização
e Desenvolvimento Curricular.
Não quero com isto dizer que aquela multiplicidade de obras não seja
útil aos professores. É evidente que o é. Se não considerasse
positivamente aquelas obras, que sentido faria indicar muitas delas na
bibliografia?
O meu trabalho é, portanto, o reflexo da minha própria experiência, mas
também do estudo que tenho desenvolvido, desde o início da minha
actividade como professor.
O que me faz dizer que, afinal, pouco criei. Mas fiz e faço uma leitura
da actividade docente, traduzi uma experiência, elaborei um texto na
profunda convicção de que «Um texto é sempre gerado por outro texto,
um sentido é sempre expressão de um sentido – o caos não ilumina, – uma
acção prolonga sempre uma acção.»
PÚblico-alvo –
Esta obra destina-se, em primeiro lugar, aos Licenciados que ingressam
nos estágios – Ramo Educacional –, com vista à sua profissionalização,
quer em actividades na Universidade, primeira parte do estágio, quer nas
escolas: estágio pedagógico; aos alunos das Licenciaturas em ensino,
cursos de formação profissionalizante integrada; aos alunos das Escolas
Superiores de Educação, professores para o Ensino Básico. Em segundo
lugar, destina-se a todos os Professores que pretendam ter à mão um
instrumento de trabalho que, eventualmente, lhes possa ser útil em
situações específicas da sua prática lectiva.
Âmbito
– Farei uma abordagem que envolve a actividade docente, nas suas
múltiplas dimensões. Neste texto reflicto sobre «O Sistema Educativo»
(Introdução − 2), «A Escola» (Introdução − 3). Analisa-se em que medida
o professor intervém nos vários níveis desta Instituição, que
actividade exerce para além da função primeira e primordial, que é a
actividade docente. Discorro sobre o «Currículo» (Introdução − 4), o seu
significado e amplitude. O Desenvolvimento do Processo Curricular
constitui a parte central do presente estudo, faz a abordagem,
passo-a-passo, da «Planificação do Processo de Ensino/Aprendizagem» (I).
A partir do desenvolvimento destas tarefas, trata-se da «Implementação
do Processo Curricular» (II), que tarefas desenvolver para que a
prática lectiva não se torne um pesadelo, como por vezes acontece? Por
isso, reflecte-se também sobre as características dos alunos, que é
preciso conhecer, e como recolher essa informação; sobre o modo de
adaptar o currículo à realidade concreta, as turmas que são distribuídas
aos docentes; a organização e condução da lição também fazem parte
destas preocupações, etc.
Não deixei de introduzir o tema «Visita de Estudo» (II-5), actividade
nem sempre muito considerada nas planificações.
A «Avaliação da Aprendizagem» (III) é talvez a tarefa mais difícil que o
docente tem de realizar. Quando e para quê avaliar, qual a função da
avaliação, que tipos de avaliação efectuar, como construir os
instrumentos de avaliação, com que objectividade e justiça avaliamos os
nossos alunos, que rigor imprimimos à classificação final dos alunos?
Procura-se dar resposta a estas e a outras questões que por certo o
ajudarão.
A Inovação Pedagógica é uma exigência que não pode ser ignorada. O
professor do nosso tempo não pode ficar “agarrado” a preconceitos, tem
de olhar para a novidade e integrá-la no seu quotidiano
profissional. Dar atenção às novas exigências da denominada «Sociedade
de Informação» e integrá-las na educação é já inovar a prática lectiva.
O docente tem de estar atento à novidade, se não quer ser ultrapassado
pelos seus próprios alunos.
Glossário – A
terminologia em Ciências da Educação não está rigorosamente
fixada, e creio que é difícil fixá-la. Mas isso não é um obstáculo para
o nosso trabalho. Com efeito, tomamos como emprestados muitos dos
vocábulos empregues por outras ciências. Na escola ensinamos várias
ciências, e isso influencia-nos beneficamente, porque o saber é
um todo e não um conjunto feito de fragmentos desligados.
Contudo, procurei introduzir, neste texto, um glossário, mais ou
menos abrangente, que numa primeira abordagem possa elucidar o leitor.
A terminologia incluída foi objecto de pesquisa na bibliografia indicada
e na abundante legislação publicada sobre a Reforma do Sistema
Educativo.
Bibliografia – A ideia de
uma bibliografia um tanto extensa prende-se com a intenção de
proporcionar ao leitor interessado o aprofundamento, mais específico, de
qualquer um dos temas da Organização e Desenvolvimento Curricular.
Basta uma leitura interessada para se dar conta da inclusão de um
variadíssimo leque de opções, que permitirão ulteriores aprofundamentos. |