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A desigualdades entre os homens segundo Rousseau


© António A. B. Pinela
, 2010

Edição do Autor

Formato: eBook

Páginas: 58

Publicação e comercialização: www.eurosophia.com

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Sobre o autor
 

António A. B. Pinela fez a sua licenciatura e mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. E deste então, a sua actividade profissional desenvolveu-se no ensino: Leccionou em várias escolas secundárias e, nos últimos anos da sua carreira, foi orientador de estágio pedagógico, no ensino secundário, primeiro em colaboração com a Universidade Católica, em Lisboa, depois, com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Participou em diversas actividades sobre educação. Após a aposentação dedica-se à escrita.

 

Introdução

O século das Luzes assistiu à sucessão de extraordinários fenómenos. Viu a ciência alcançar progressos bem definidos, maravilhou-se com o brilhantismo das Artes e com o esplendor das Letras, enquanto nos salões parisienses via agitarem-se ideias que inspiraram a Revolução Francesa de 1789 e apreciava a era industrial a desabrochar nas minas de hulha da antiga Albion. Um mundo acabava: o ancien régime; outro começava: o mundo moderno (no sentido de diferente, de inovador). Um mundo em que a crítica ganha foros de cidadania e a tolerância passa a ser considerada, na medida em que o homem ganha consciência de que o progresso não é pos­sível sem que estes elementos (crítica e tolerância), a par da liberdade, te­nham lugar.

Este tipo de pensamento, que se desenvolve no século XVIII, preten­de in­troduzir mudanças no seio da governação, no sentido das transforma­ções sociais. Rousseau é um espectador e um actor atento a tais mudanças ou intenções, mas nem sempre estas são do agrado do filósofo que escreveu o Contrato Social, por isso entrará em desacordo, senão mesmo em ruptura, com alguns pensadores seus coetâneos.

Seja como for, este filósofo, que alguns chamam de controverso pelas posições que tomou em vários momentos da sua vida, contribuiu significa­tivamente para aquelas mudanças. Diz que ele inspirou mesmo os revolucio­nários de 1789.

Um dos fenómenos que preocupava os homens das Luzes era a cons­tatação das profundas desigualdades existentes entre os homens. A Rous­seau não é alheia esta problemática, tanto assim que lhe dedica o seu segun­do Discours. É precisamente esta sua obra, assim como a temática das desi­gualdades que constituem os ingredientes que nos moti­vam a escrever sobre as «Causas e consequências da desigualdade entre os homens». Consequente­mente, serve-nos de informação e base de re­flexão o Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes de Rous­seau, embora consultemos outras das suas obras, como não poderia deixar de ser. Os Apontamentos obtidos no seminário, «A Filosofia no tempo de Mozart», bem como a obra de Paul Hazard, O pensamento europeu no sé­culo XVIII, permitem-nos uma me­lhor compreensão do pensamento filosó­fico neste século.

Quanto à metodologia, e para nossa própria aprendizagem, optámos pela hermenêutica do texto, sem ignorarmos que nem sempre é possível «fugir» à descrição narrativa, e que a análise reflexiva é um imperativo da prática do trabalho filosófico.

Quanto aos objectivos do presente trabalho, pretendemos identifi­car, primordialmente, as causas que, na perspectiva de Rousseau, provo­caram a profunda desigualdade que se faz sentir entre os homens, bem como a ob­jectivação do seu resultado. Enfim, procuraremos, tanto quanto nos for pos­sível, ser fiel ao pensamento de Rousseau, embora, num ou outro caso, pos­samos expender a nossa própria opinião e façamos algumas breves compa­rações com os fenómenos da política social do nosso tempo, se bem que a filosofia do século XVIII não seja a filosofia da nossa vivência, mas é, com certeza, uma filosofia que continua a dar motivos de reflexão ao nosso tempo.

 

Índice

I - PRELIMINARES

1. Introdução

2. Breves considerações sobre as desigualdades

II - ESTADO DE NATUREZA VERSUS ESTADO SOCIAL

1. A natureza humana

2. Formas e origem das desigualdades entre os homens

III - CONSEQUÊNCIAS DAS DESIGUALDADES

1. O género humano e a nova ordem

2. O poder arbitrário dos governantes

IV - NOTA FINAL

BIBLIOGRAFIA

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