Sócrates, Platão e Aristóteles e a fundamentação da Filosofia

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Provérbios

 

Pelo seu significado tradicional, os provérbios memorizam-se facilmente e são usados, não só pelo povo que os cria, mas também por políticos, literatos, pensadores e outros que, a seu modo, os incluem nos seus discursos (falados ou escritos), a fim de, como também diz o povo, «puxarem a brasa à sua sardinha».

A Filosofia espontânea também se manifesta nos provérbios, que são considerados sentenças que veicula mensagens de alto significado.

Os provérbios que aqui damos como exemplo, transmitidos de geração em geração, são ditos para justificar acções, fundamentar comportamentos ou mesmo situações, tanto a nível do quotidiano como a nível intelectual.

 

Vejamos alguns exemplos:

 

Provérbios causais

Provérbios que exprimem desespero e pessimismo

Provérbios que exprimem solidariedade

Provérbios que indicam conhecimento ou ignorância

Provérbios que indicam possibilidades individuais  

Provérbios que indicam prudência

Provérbios relativos ao tempo

Outros Provérbios

 

 

Provérbios causais

 

Alguns provérbios pretendem encontrar uma causa, a fim de justificar uma realidade, como estes:

  • «Filho de peixe sabe nadar».

  • «Língua comprida, mentira maior».

  • «Por causa de alguém não se fia a ninguém».

  • «Quem cochicha rabo espicha».

  • «Quem não tem cão caça com um gato».         

  • «Quem nasce p’ra pobre nunca chega a rico».

  • «Quem sai aos seus não degenera».

  • «Se bebes para esquecer paga antes de beber».

Em todos estes provérbios se encontra alguma causa que pretende justificar o seu efeito. E a causalidade é um tema profundo da prática filosófica.

 

Provérbios que exprimem desespero e pessimismo

 

Examinemos estes provérbios que evidenciam um certo desespero e mesmo pessimismo perante a vida:

  • «Grande nau, grande tormenta».

  • «Quando o mal é de morte, o remédio é morrer».

  • «Uma desgraça nunca vem só».

Estes provérbios exprimem uma disposição natural que a maioria das pessoas têm para ver o lado mau das coisas, os riscos de malogro. É a doutrina segundo a qual (defende Schopenhauer), no Universo, o mal prevalece sobre o bem.

 

Provérbios que exprimem solidariedade

 

Há provérbios que fazem apelo à solidariedade humana, como estes:    

  • «A união faz a força».

  • «Fazer bem sem olhar a quem».

  • «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti».

  • «Nas necessidades é que se conhecem os amigos».

Estes provérbios enquadram-se numa reflexão de valor ético-moral.

 

Provérbios que indicam conhecimento ou ignorância

 

É interessante verificar o conteúdo dos provérbios que indicam  sabedoria, conhecimento e bom senso. É bom que nos atenhamos um pouco neles, como estes:

  • «A experiência é o espelho da inteligência» (Provérbio árabe).

  • «Dá Deus nozes a quem não tem dentes».

  • «De livro fechado não sai letrado».

  • «O sábio sabe que sabe, o ignorante pensa que sabe» (Provérbio espanhol, que faz lembrar Sócrates). 

É interessante atermo-nos, frequentemente, nestas sábias sentenças.

 

Provérbios que indicam possibilidades individuais

 

Diferentes no seu sentido, mas de valor prático similar, estas sentenças mostram uma certa persistência na acção, tranquilidade existencial, e dizem respeito à experiência concreta da existência vivida e, ainda, à intelecção das possibilidades individuais:

  • «Água mole em pedra dura tanto dá (bate) até que fura».

  • «Cada qual puxa a brasa à sua sardinha».

  • «Desmanchar e fazer, tudo é aprender».

  • «Grão a grão enche a galinha o papo».

  • «O dinheiro não cai do Céu».

  • «Quem tudo quer, tudo perde».

  • «Vale mais um pássaro na mão do que dois a voar».

Que acha destes provérbios?

 

Provérbios que indicam prudência

 

Provérbios ricos em ensinamentos retirados da experiência do saber fazer e do saber viver.

  • «Antes quero asno que me leve que cavalo que me derrube».

  • «As paredes têm ouvidos».

  • «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és».

  • «Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu».

  • «Se queres bom conselho, pede-o ao velho».

Pois é... Mas há uma certa juventude que acha que os velhos nada têm para ensinar! Será mesmo assim?

 

Provérbios relativos ao tempo

 

Muito ricos de significado são os provérbios de simbologia meteorológica ou temporal:

  • «Água de Agosto, açafrão, mel e mosto».

  • «Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar».

  • «Camisa de seda em Janeiro é sinal de pouco dinheiro».

  • «Em Abril, águas mil».

  • «Lua nova trovejada 30 dias é (será) molhada».

  • «No dia de S. Lourenço vai à vinha e enche o lenço».

  • «Pelo S. Martinho vai à adega e prova o vinho».

  • «Quando florir o maracotão, os dias iguais são».

  • «Quando não chove em Janeiro, nem bom prado nem bom celeiro».

Não seria mau de todo dar alguma atenção a este tipo de sabedoria popular.

 

Estes provérbios populares como, aliás, todos os outros, revelam um tipo de conhecimento denominado «senso comum», apanágio da maioria das pessoas para quem, apenas, o espírito prático conta.

Como não é difícil verificar, os provérbios, considerados sabedoria popular, estão longe de enunciar princípios universais. Expressam, não um conjunto indiscutível de conhecimentos criticamente elaborados, que se manifesta universalmente, mas um conjunto incompleto de «actos de conhecimento» que se aplicam em cada instante concreto e que, na  grande maioria dos casos, apenas são utilizados como analogias (de forma intelectual) ou como exemplo moral ou de previsão (conforme a tradição popular).

 

Outros Provérbios

 

Tendo presente os múltiplos sentidos que os provérbios anteriores evidenciam, verifique agora a riqueza de significados que os provérbios a seguir encerram:

  • Amigo do meu amigo meu amigo é.

  • Ao menino e ao borracho põem-lhe Deus a mão por baixo.

  • Apanha com o cajado quem se mete onde não é chamado.

  • Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.

  • Cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

  • Guarda que comer, não guardes que fazer.

  • Junta-te aos bons, serás como eles. Junta-te aos maus, serás pior que eles.

  • Mais vale tarde do que nunca.

  • Não é com vinagre que se apanham moscas.

  • Não há fome que não dê em fartura.

  • No poupar é que vai o ganho.

  • Os homens não se medem aos palmos.

  • Para bom entendedor meia palavra basta.

  • Para grandes males, grandes remédios.

  • Quem canta seu mal espanta, quem chora seu mal adora.

  • Quem conta com panela alheia fica quase sempre sem ceia.

  • Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.

  • Quem diz o que quer ouve o que não gosta.

  • Quem meu filho beija minha boca adoça.

  • Quem o feio ama bonito lhe parece.

  • Quem muito dorme pouco aprende.

  • Quem quer vai, quem não quer manda.

  • Quem semeia ventos colhe tempestades.

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