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Protágoras
nasceu em Abdera, cerca de 480 a.C. Foi o primeiro que se intitulou
sofista e mestre de virtude. Ensinou durante 40 anos por todas as
cidades da Grécia. Esteve repetidas vezes em Atenas, onde teve grande
êxito, sobretudo entre os jovens, sendo honrado e procurado por
Péricles e Eurípedes. Acusado de ateísmo, teve de fugir de Atenas,
onde foi processado e condenado por impiedade, e a sua obra sobre os
deuses foi queimada na praça pública. Refugiou-se então na Sicília,
onde morreu com setenta anos (410 a.C.).
Dos princípios de Heraclito e das
variações da sensação, conforme as disposições subjectivas de cada um,
inferiu Protágoras a relatividade do conhecimento. Daí que o postulado
fundamental do ensino sofístico possa ser traduzido pelo famoso
princípio: «o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são
enquanto são, das coisas que não são enquanto não são». Este princípio
significava que de cada homem, individualmente considerado, dependem
as coisas, não na sua realidade física, mas na forma como por si são
conhecidas.
Subjectivismo, relativismo e sensualismo são as notas características
do seu sistema de cepticismo parcial. Platão deu o nome de
«Protágoras» a um dos seus diálogos, e o de «Górgias» (outro sofista)
a um outro.
A obra principal de Protágoras, Raciocínios Demolidores», era também
referida com o título Sobre a Verdade ou Sobre o Ser. Atribui-se-lhe
também uma obra Sobre os Deuses. Da sua produção literária restam
poucos fragmentos. |